Podcast Not Just Money com Luis García: Do Campo à Sala de Reuniões

📅 18.03.2026 👤 Syed Maaz Ashgar

Como Luis García se Reinventou Após o Futebol

Por quase duas décadas, o ritmo de vida de Luis García foi simples: treinar, recuperar, competir, repetir. Luzes de estádio, multidões vibrantes e a pressão do futebol de elite definiam seus dias. Como jogador, passou por alguns dos maiores clubes da Europa e viveu os níveis mais altos do esporte.

Mas o momento que todo atleta profissional inevitavelmente enfrenta chegou em 2016. Após uma carreira que atravessou continentes e competições, García se aposentou aos 35 anos.

Então veio a manhã seguinte.

Sem treino. Sem reunião tática. Sem preparação para jogos. Apenas silêncio onde antes existia a estrutura do esporte profissional.

“É uma sensação estranha”, diz ele. “Por 20 anos sua vida segue a mesma rotina. Quando isso para, de repente tudo é diferente.”

Para García, a aposentadoria não foi um fim. Foi o começo de uma segunda carreira — uma que o levaria do vestiário à sala de reuniões.

A Formação de um Jogador

A jornada de García começou em Barcelona, onde entrou na academia de base do FC Barcelona, um dos sistemas de formação mais prestigiados do futebol mundial. A academia revelou gerações de jogadores de elite e, para um jovem García, proporcionou tanto treinamento técnico quanto exposição às exigências do esporte profissional.

A partir daí, sua carreira se desenvolveu pela Espanha. Ganhou experiência no Real Valladolid e no CD Tenerife, antes de dar um passo que moldaria a próxima fase de sua trajetória: o Atlético de Madrid.

“No Atlético, comecei a entender de verdade o que significava competir no mais alto nível”, relembra.

Depois, retornou brevemente ao Barcelona antes de se transferir para o Liverpool F.C., onde acredita ter atingido o auge da sua carreira como jogador. Sua carreira internacional também prosperou. García integrou a seleção espanhola na Copa do Mundo FIFA de 2006, um dos torneios mais prestigiados do futebol.

Entre Espanha, Inglaterra, México, Índia e Austrália, construiu uma carreira marcada por adaptação e resiliência. Hoje, ao olhar para trás, seu foco não está em troféus ou estatísticas. “Tenho orgulho porque sempre tentei dar tudo de mim”, afirma.

O Vazio Após o Apito Final

A aposentadoria no esporte profissional muitas vezes é romantizada. A realidade pode ser mais complexa. Para muitos atletas, a estrutura que definiu suas vidas desaparece da noite para o dia.

“No começo, parece ótimo”, diz García. “Você toma café, passa tempo com os filhos, vai à academia.” Mas a novidade passa rápido. “Se essa vai ser sua vida pelos próximos 40 anos, é muito tempo”, explica.

Essa percepção forçou García a encarar uma pergunta com a qual muitos atletas lutam: quem você é quando a carreira que te definiu chega ao fim? Para ele, a resposta veio de dois lugares — curiosidade e responsabilidade.

O Exemplo de um Pai

A família teve um papel fundamental na transição de García. Como pai de quatro filhos, ele queria que eles crescessem vendo uma vida construída com propósito, não apenas conforto. “Eu não queria que eles vissem o pai apenas em casa o dia todo”, diz.

O futebol lhe proporcionou uma vida extraordinária, mas ele entendia que esse privilégio trazia responsabilidade. “Queria que vissem disciplina”, explica. “Entender que o sucesso não acontece sozinho.” As lições que ele busca transmitir são simples, mas poderosas: resiliência nos momentos difíceis, dedicação ao trabalho e a crença de que o esforço faz diferença.

Enxergando o Futebol do Outro Lado

Hoje, García atua em um mundo que poucos jogadores conhecem durante a carreira. Como CEO do Johor Darul Ta'zim, ele supervisiona as operações de um dos clubes mais bem-sucedidos do Sudeste Asiático.

“Quando você é jogador, pensa apenas em futebol”, diz. “Há muitas coisas acontecendo que os jogadores nem imaginam — venda de ingressos, patrocínios, engajamento de fãs, marketing, academia.” Os jogadores são o ativo mais valioso do clube — mas fazem parte de uma máquina muito maior.

O Negócio de Vencer

Clubes de futebol modernos precisam equilibrar duas prioridades que muitas vezes competem entre si: sucesso esportivo e sustentabilidade financeira. Os fãs querem vitórias. Os executivos precisam garantir a saúde financeira do clube. Esse equilíbrio exige planejamento estratégico.

No Johor Darul Ta'zim, García e sua equipe focam em estratégias de longo prazo para fortalecer o clube dentro e fora de campo. Investimentos em formação de jovens, infraestrutura e parcerias comerciais fazem parte dessa equação. Um marco recente foi a renovação da parceria com a Nike, refletindo o crescimento internacional do clube. “Essas parcerias são importantes porque trazem estabilidade”, afirma García. No futebol, estabilidade é rara — mas essencial para o sucesso sustentável.

Uma Lição que Muitos Jogadores Aprendem Tarde

Durante sua carreira, García percebeu um problema recorrente entre atletas: a falta de educação financeira. Jogadores jovens frequentemente ganham salários elevados antes de entenderem como o dinheiro funciona. “No futebol você pensa no próximo jogo”, diz. “Não pensa em investimentos ou planejamento de longo prazo.”

No caso de García, um conselho de seu agente fez toda a diferença. Ele o incentivou a investir em imóveis — comprando apartamentos que gerassem renda futura com aluguel. A estratégia era simples e eficaz. O mercado imobiliário trouxe segurança financeira de longo prazo e reduziu a tentação de gastos impulsivos.

Aprendendo da Forma Difícil

Após a aposentadoria, García entrou no mundo dos negócios com entusiasmo — e muitas dúvidas. Investiu em diversos empreendimentos, desde uma marca de bebidas energéticas até uma empresa de barcos e um negócio no setor alimentício. Alguns deram certo. Outros viraram aprendizado.

“Me envolvi em negócios sem entender completamente”, admite. Com o tempo, percebeu que entusiasmo não era suficiente. Era preciso conhecimento. Então voltou a estudar. García concluiu diversos cursos e, posteriormente, um MBA por meio do programa executivo da UEFA, focado em gestão esportiva e estratégia empresarial.

Liderança Além do Vestiário

Os anos no futebol de elite moldaram sua visão de liderança. No esporte e nos negócios, ele acredita que um princípio é fundamental: confiança. “Se você traz alguém para o seu time, precisa confiar”, afirma.

O futebol também ensina algo essencial: lidar com pressão. “Jogadores tomam decisões a cada segundo durante um jogo”, explica. “Essa capacidade é útil nos negócios também.”

Retribuindo

Para García, sucesso vem com responsabilidade. Ao longo da carreira, torcedores ao redor do mundo o apoiaram — celebrando vitórias e enfrentando derrotas ao seu lado. Essa conexão deixou uma marca duradoura. Hoje, ele busca retribuir por meio de iniciativas comunitárias, clínicas de futebol para jovens e ações sociais. “O futebol me deu tudo”, diz. “Então é importante compartilhar isso.”

Pensando no Legado

Quando perguntado sobre seu legado, García não começa pelos negócios ou pelo futebol. Ele fala sobre família. “Espero que meus filhos lembrem dos valores que tentei ensinar”, diz. Disciplina. Trabalho duro. Altos padrões. Esses princípios guiaram sua carreira como jogador e continuam moldando sua vida nos negócios.

“Se você quer ter sucesso, precisa mirar alto”, afirma. “Dar 60% não é suficiente.” No futebol, a diferença entre sucesso e fracasso pode ser medida em segundos ou centímetros. Na vida após o futebol, García descobriu que o mesmo princípio continua válido. O jogo mudou — mas o compromisso permanece o mesmo.

Principais Menções

Sobre encarar a aposentadoria: “Percebi que, se aquela fosse a minha vida dos 38 até os 85 anos, seria muito tempo. Então pensei: preciso começar a fazer algo.”
Sobre gerir um clube de futebol: “Os jogadores são um ativo — o maior ativo. Mas nada funciona sem um plano de negócios sustentável.”
Sobre as semelhanças entre esporte e negócios: “O vestiário é exatamente como uma empresa. Você tem os mesmos objetivos, as mesmas metas, e precisa lutar junto com as pessoas ao seu redor para alcançá-los.”
Sobre liderança: “A palavra confiança precisa vir imediatamente. Preciso de pessoas ao meu redor em quem eu possa confiar. Esse é o valor mais importante para mim.”
Sobre sucesso: “Se você quer ter sucesso na vida, precisa ter padrões elevados... buscar dar 100% não garante sucesso, mas te aproxima. Quando você dá 60%, pode ter certeza de que não vai chegar lá.”

Em outra entrevista fascinante, conversamos com Racha Al Khawaja, estrategista de investimento experiente e Sócia-Gerente na Gate Capital. Enquanto García se concentra na disciplina da sala de reuniões, Al Khawaja mergulha na "ciência e arte" dos mercados, explorando como o controle emocional e a educação financeira — e não apenas grandes quantias de capital — são os verdadeiros segredos para a liberdade financeira de longo prazo. Você pode ler todos os seus insights sobre a gestão do medo e da ganância no nosso artigo complementar Especialista em Dinheiro: Por que Suas Emoções Estão Fazendo Você Perder Dinheiro.

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